A falta de intimidade com a leitura começou, na verdade, a incomodar a sociedade há pouco tempo, talvez porque nunca o mercado de trabalho, as relações sociais, a economia globalizada, necessitaram tanto de leitores proficientes, o que é algo cada vez mais raro em nosso meio social. Pois, a falta de habilidades leitoras trazem conseqüências desastrosas para o desempenho social e profissional do cidadão. A escola com certeza é consciente da sua responsabilidade na formação de indivíduos não capacitados linguisticamente.
Dessa forma, podemos observar que as instituições de ensino não estão formando leitores com habilidades necessárias para a formação do indivíduo autônomo e nem mesmo condições para que ele consiga produzir conhecimento impedindo que se torne um verdadeiro cidadão. Paulo Freire (2000, p. 52) alerta que ensinar não é transmitir conhecimentos, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a construção. Nesse sentido, a escola precisa repensar a concepção de ensino utilizada para o desenvolvimento das habilidades leitoras dos estudantes, pois a função da escola na contemporaneidade não é apenas ensinar a ler e a escrever, mas também, levar os indivíduos a fazer uso da leitura e da escrita.
Para concretizar a sua função na formação de leitores competentes não cabe somente à escola ensinar os alunos a decodificar símbolos lingüísticos, mas encaminhar uma prática pedagógica que priorize o pensar, que favoreça o desenvolvimento da capacidade de estabelecer relações, que possibilite a inferência em todas as atividades. A leitura e a escrita com função social constitui a base primeira e única para ensinar a ler e escrever, pois para compreender o valor da escrita e apropriar-se, de fato, dela não há outro caminho que não aquele que perpassa pelo uso social que a humanidade faz da mesma.
Todavia é na passagem da decodificação das palavras para a compreensão do que está escrito que está a certificação do leitor ideal, ou seja, aquele que é capaz de compreender e não apenas decodificar símbolos ou memorizar a mensagem, sendo capaz de fazer uma avaliação e um constante questionamento do que leu.
Segundo Kleiman (2002), a compreensão de um texto é um processo que se caracteriza pela utilização de conhecimento prévio, isto é, para fazer a leitura, o leitor utiliza o que ele já sabe, ou seja, o conhecimento adquirido ao longo da sua vida. É mediante a interação de diversos níveis de conhecimento, como o conhecimento lingüístico, o textual, o conhecimento de mundo, que o leitor consegue compreender o sentido do texto.
Por isso, faz-se necessário, segundo Roberta Bencini (2006, p.31), trabalhar não apenas um gênero de leitura, mas todos os tipos de leitura que se apresentam no dia-a-dia, isto é, as habilidades de leitura devem ser aplicadas diferencialmente a diversos tipos de materiais de leitura: literatura, livros didáticos, obras técnicas, dicionários, listas, enciclopédias, quadros de horário, catálogos, jornais, revistas, anúncios, cartas formais e informais, rótulos, cardápios, sinais de trânsito, sinalização urbana, receitas, etc. Nas escolas em que circulam diversos tipos de textos, os alunos lêem e escrevem mais rapidamente e se tornam capazes de buscar as informações de que necessitam.
Nesse sentido, a leitura deve ser concebida como um meio de que dispomos para adquirir informações e desenvolver reflexões críticas sobre a realidade (Infante, 2000, p.57), constituindo um processo abrangente, cuja dinâmica envolve componentes emocionais, intelectuais, filosóficos, neurológicos e culturais, sendo o seu aprendizado uma tarefa contínua e permanente, que se enriquece gradativamente com novas habilidades lingüísticas à medida que o aluno domina adequadamente diferentes gêneros textuais com níveis cada vez mais complexos.
Dessa forma, podemos afirmar que o aluno poderá desenvolver níveis e habilidades lingüísticas, tais como:
• Identificação e recuperação da informação: Localizar, seqüenciar ou combinar itens múltiplos de informação. Lidar com informações concorrentes muito plausíveis e /ou extensas;
• Interpretação: Demonstrar entendimento completo e detalhado de textos cujos conteúdos ou forma não sejam familiares;
• Reflexão e avaliação: Avaliar criticamente ou formular hipóteses a partir de conhecimentos especializados. Lidar com conceitos que se contrapõem a expectativas e utilizar uma compreensão profunda de textos longos ou complexos.
Por meio deste projeto pretendemos despertar nos alunos o gosto pela leitura de diferentes gêneros textuais e levá-los a perceber a importância da leitura para o seu processo de crescimento intelectual e profissional.
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